terça-feira, 24 de junho de 2014

AONDE ESTAMOS?

Uma pergunta tem rondado os curitibanos: A que ponto chegamos? Curitiba já foi referência em assistência social. Uma ampla rede de atenção, proteção e promoção social foi construída em nossa cidade e se consagrou modelo para o país. Um sistema integrado, focado no auxílio às pessoas em condições de risco e baseado em atenção social plena, com promoção da saúde, apoio habitacional,  políticas de geração de emprego, dentre outros programas de atuação. Um conjunto de ações executadas pela Prefeitura de Curitiba por meio da Fundação de Ação Social (FAS) em conjunto com entidades sociais e instituições diversas da sociedade civil.

Uma das marcas de Curitiba, que se tornou parâmetro nacional no assunto. Uma intrincada gama de estratégias de ações, voltada para o desenvolvimento social, cuja eficácia sempre foi evidente. Graças a esse sistema Curitiba se tornou a capital brasileira que mais reduziu a pobreza, consagrou-se como referência em qualidade de vida e foi a primeira cidade do Brasil a cumprir a meta do milênio estipulada pela ONU para redução da desigualdade social. No ano de 2011 Curitiba estava preparada para erradicar a pobreza segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Poucas cidades em nosso país podem se considerar detentoras de condições de desenvolvimento humano e todas, em maior ou menor grau, basearam-se em alguma experiência advinda de Curitiba. Desenvolvimento Social já foi um dos sinônimos de Curitiba, assim como meio ambiente, saúde e planejamento urbano.

E é justamente por isso que hoje os cidadãos curitibanos estão se fazendo aquela pergunta que abriu esses texto. Porque esse contexto de igualdade de oportunidades que vinha se aprimorando e se fortalecendo em nossa cidade minguou (para não dizer que desapareceu). O ambiente de mobilização sincronizada entre a Prefeitura de Curitiba, sociedade organizada, cidadãos atuantes e entidades proativas, em geral, se desarticulou.

Tomemos como exemplo os estragos decorrentes das chuvas nas últimas semanas. Logicamente, não é culpa de ninguém o fato de que choveu muito mais do que o normal e o volume pluviométrico alcançou níveis históricos. Até porque isso aconteceu na região Sul inteira do país. Uma calamidade, fruto das intempéries da natureza. Contudo, a ingerência que impossibilitou a atuação rápida e efetiva de organismos de atenção social em Curitiba é consequência direta do despreparo da administração municipal.

Basta ver a terrível situação e a péssima atuação da Vice-Prefeita Miriam Gonçalves, segunda no comando da Prefeitura. Ao visitar o bairro do Tatuquara, uma das áreas atingidas, a Vice ouviu de um dos moradores o que eles precisavam. Tudo o que pediam eram duas pessoas da Defesa Civil para orientar os moradores da região no momento caótico das enxurradas. Algo que a Prefeitura foi incapaz de providenciar. A inaptidão da Vice-Prefeita de Gustavo Fruet era tanta que ela sequer sabia o que falar ao morador.

Não bastasse isso, a insuficiência da Vice-Prefeita em conduzir a situação ainda piorou. Discutiu com um Vereador, que também estava no local, e o acusou de não estar ajudando. Detalhe: o Vereador estava no local desde o momento em que a chuva havia causado os estragos. Encharcado, o Vereador ajudava os moradores a se organizar. A Vice, que o acusou de não ajudar, só chegou com sua comitiva depois que a chuva já havia baixado. Em tom ameaçatório, a Vice avisou o Vereador: "baixa a voz". Ao que parece, um cidadão não pode mais conversar com uma representante da Prefeitura para explicar o trabalho que estava realizando em apoio à própria Prefeitura.

A pendenga toda foi noticiada pela imprensa e o vídeo da (falta de) atuação da equipe da Prefeitura, com a discussão envolvendo a Vice-Prefeita, econtra-se neste link:


Após a encrenca, a Vice-Prefeita achou mais apropriado viajar. Embarcou para uma viagem internacional. Os curitibanos que se resolvam. Com a ajuda que deu no vídeo talvez até ajude mais não estando em Curitiba.

Curitiba, que já foi modelo em assistência social, com grande capacidade de rápida resposta a situações como essa, tornou-se símbolo da falta de tato dos gestores e incapacidade de agir. Como a atual gestão da Prefeitura chegou nessa situação? Difícil dizer. Ao que parece, a articulação político-partidária se tornou prioridade sobre a articulação organizacional. Ameaçar quem faz parece ser mais importante do que simplesmente ir lá e fazer.

A que ponto chegamos? Eis a pergunta. Talvez nem mereça resposta. Afinal, outras indagações merecem maior preocupação dos curitibanos. O que esperar de uma gestão como essa? Não sabemos, mas definitivamente não serão boas notícias. Pode piorar? A ineficiência da administração da Prefeitura significa que sim!


Evandro Sbalcheiro Mariot
Médico, advogado e Secretário Geral da Juventude do PSDB do Paraná


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